Atividade Financiada
Arquitetura de Necessidade: Equipamento Comunitário em Portugal 1945-1985
The Architecture of Need: Community Facilities in Portugal 1945-1985
Detalhes
Referência
PTDC/ART-DAQ/6510/2020
PTDC/ART-DAQ/6510/2020
Data de Início do Projeto
2021-03-29
2021-03-29
Data de Fim do Projeto
2025-03-28
2025-03-28
Área Científica
Humanidades
Humanidades
Programa de Financiamento
Concurso para Financiamento de Projetos de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico em Todos os Domínios Científicos - 2020
Concurso para Financiamento de Projetos de Investigação Científica e Desenvolvimento Tecnológico em Todos os Domínios Científicos - 2020
Resumo
Arquitetura de Necessidade: Equipamento Comunitário em Portugal 1945-1985 examina os processos de encomenda, projeto e produção de equipamento essencial cívico e rural das comunidades locais em Portugal entre o final da Segunda Guerra e a adesão à Comunidade Europeia. Estes edifícios, muitos deles desenhados por arquitetos, são parte da nossa vida quotidiana e testemunhos da relevância social procurada pela arquitetura, como elos materiais entre criadores e utilizadores do ambiente construído; no entanto, têm sido em geral ignorados pela cultura arquitetónica dominante, marcada por perspetivas centrais e de acento histórico-artístico. Hoje, quando devemos gerir racionalmente recursos cada vez mais escassos e as comunidades locais necessitam de reforçar a sua resiliência de modo sustentável, é essencial um novo entendimento integrado destes equipamentos, dos agentes, conceitos, discursos e estratégias por trás da sua conceção e realização. Este projeto académico recupera o ADN, perdido há muito, da arquitetura quotidiana de equipamentos públicos e agrícolas em Portugal, de modo a enriquecer a cultura arquitetónica e a dotar as comunidades locais de conhecimento que lhes permita reutilizar, transformar, manter ou eliminar peças essenciais do seu entorno imediato.
Assente na experiência da equipa, o projeto afasta-se da arquitetura canónica de autor para investigar agentes, resposta e serviço, em contextos onde necessidades básicas são supridas por obras vistas como correntes, produto de processos supostamente triviais. Interrogando de que modo podem edifícios discretos, relevantes para leigos e arquitetos no passado, voltar a sê-lo no futuro, olhamos para onde esta arquitetura foi resposta mais direta a necessidades ingentes: o equipamento local cívico e rural erguido longe dos grandes centros, concretamente nas regiões do Alentejo e Algarve. Este inclui edifícios para cuidados médicos (centros de saúde, lares), serviços gerais (instalações municipais e de freguesia, centros comunitários, habitação de realojamento), segurança pública (quartéis de bombeiros e polícia), educação, cultura e lazer (museus, bibliotecas, equipamento desportivo) e produção agrícola (cooperativas, silos, lagares, adegas, matadouros). Maioritariamente fruto de iniciativa local, por entidades públicas e privadas com apoio técnico e financeiro estatal, muitos equipamentos contaram com auxílio não-governamental, em particular através dos mecanismos estatutários da Fundação Gulbenkian.
Elegemos o período de 4 décadas que teve início c. 1945, quando o regime ditatorial do Estado Novo reforçou políticas anteriores para aproveitar iniciativas locais, transformando a infraestrutura de comunidades de pequena e média dimensão; atravessou as alterações político-sociais trazidas pela Revolução de 1974; e terminou no final da década de 1980, quando o processo de adesão à Comunidade Europeia (1986) e devolução de poderes às autarquias alterou a equação subjacente às iniciativas centrais, regionais e locais.
Os resultados do projeto servem uma estratégia de divulgação (dirigida a comunidades e indivíduos envolvidos na produção, gestão e uso de edifícios) e avanço científico, explorando 3 vias essenciais de inquérito: 1. Necessidade Negociada – Quem eram os necessitados aqui? Quem falava por eles e como, em ditadura e democracia? Quem determinava prioridades, sobre que bases e sob que condições? Como variaram programas e respostas em função de especificidades locais? Forma Negociada – Sob limitações económicas significativas, de que modo sobreviveu o projeto arquitetónico, incluindo a sua capacidade de expressar identidades nacionais, regionais e locais? Terá o pragmatismo esmagado a criatividade? O que trazem estes edifícios de novo a tipologias arquitetónicas conhecidas? 3. Aprender a Reutilizar – Quais as fórmulas-base desta arquitetura de proximidade? Quais os mecanismos de desenho, tecnologia e materialidade que se mostraram mais duradouros? O que podemos aprender da história de uso destes edifícios?
Instituições
Instituições Principais
- Universidade de Évora (Uévora)
- Universidade de Évora Centro Interdisciplinar de História Culturas e Sociedades (CIDEHUS)
Outras Instituições
- Universidade de Lisboa Faculdade de Arquitectura (FA)
- Universidade de Lisboa Centro de Investigação em Arquitetura Urbanismo e Design (ULisboa CIAUD)
- Fundação Calouste Gulbenkian (FCG)
- ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL)
- Universidade de Coimbra (UC)
- Universidade de Évora (Uévora)
- Republica Portuguesa Direção-Geral do Património Cultural (DGPC)
- Universidade de Coimbra Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS20)
- Universidade de Lisboa (Ulisboa)
Financiamento 249.964,24 €
Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) - Portugal
249.964,24 €