Atividade Financiada
Desigualdade salarial: o papel da educação, instituições e políticas da empresa
Wage inequality: the role of education, institutions, and firm policies
Detalhes
Referência
2022.01269.PTDC
2022.01269.PTDC
Data de Início do Projeto
2023-03-01
2023-03-01
Data de Fim do Projeto
2027-02-28
2027-02-28
Área Científica
Ciências sociais
Ciências sociais
Programa de Financiamento
Concurso de Projetos de I&D em Todos os Domínios Científicos - 2022 - ICDT
Concurso de Projetos de I&D em Todos os Domínios Científicos - 2022 - ICDT
Resumo
A integração de jovens e mulheres no mercado de trabalho português surpreende frequentemente os analistas. As gerações que entram hoje em dia no mercado de trabalho são as mais qualificadas que o país alguma vez formou. No entanto, um quinto dos licenciados com menos de 30 anos aufere o salário mínimo nacional e o recrudescimento do fluxo de emigração é predominantemente composto por jovens altamente qualificados. Igualmente intrigante é o facto de Portugal apresentar uma elevada participação feminina e as mulheres representarem quase 60% dos licenciados em ciências, matemática e computação. No entanto, a disparidade salarial entre homens e mulheres não é particularmente baixa, situando-se em torno da média da OCDE.
Este projeto trata as trajetórias no mercado de trabalho ao longo do ciclo de vida, analisando como a progressão salarial é determinada pela interação de escolhas educacionais, instituições do mercado de trabalho (salário mínimo e negociação coletiva) e políticas de recrutamento e remuneração das empresas.
Começaremos pela tipificação dos perfis salariais ao longo de três décadas. O nosso objetivo é classificar as profissões, desde as de “rápida progressão” até aos “becos sem saída”, em termos da evolução salarial que proporcionam, mostrando como essa hierarquização evoluiu entre coortes de nascimento. Quantificaremos o impacto da segregação ocupacional sobre a dispersão salarial, num contexto de mudança de perfis ocupacionais e da alta participação feminina na força de trabalho.
De seguida, concentrar-nos-emos em jovens e mulheres durante a última década. Partindo dos valores agregados da fuga de cérebros ( brain drain ) de jovens de Portugal, identificaremos os principais países de destino. Usando dados dos países de destino, abordaremos as questões: Como se reparte a recente fuga de cérebros entre homens e mulheres? Em que trabalham esses jovens portugueses qualificados? Como se compara o seu salário com o de outros imigrantes e nativos no país de destino?
De volta a Portugal, analisaremos o impacto causal da feminização de uma profissão no seu salário, principalmente em áreas relacionadas com STEM (ciência, tecnologia, engenharia e matemática). Atualmente, pretende-se motivar as jovens a ingressar em STEM, partindo do princípio que os salários não reagirão à feminização da ocupação. Testaremos esse pressuposto. Combinando dados do mercado de trabalho e educação, exploraremos fontes de variação exógena na taxa de feminização da profissão entre coortes, regiões e ao longo do tempo. Também caracterizaremos os padrões de mobilidade ocupacional, para testar a hipótese de que as mulheres são mais propensas a descer na “escala” ocupacional.
De seguida, aprofundaremos o papel das instituições versus forças de mercado na determinação das desigualdades salariais. Após a determinação dos salários na contratação coletiva (CC), as políticas da empresa ajustam os salários às condições da empresa e ao ciclo económico. Os estudos iniciais sobre CC datam de há várias décadas e focaram sobretudo a realidade anglo-saxónica. Atualmente, esta área de investigação reemerge como uma área profícua, conjugando o interesse dos decisores de política económica, a disponibilidade de microdados e a formulação de questões inovadoras com relevância para diferentes países. Desenvolveremos o trabalho recente dos membros da equipa Card e Cardoso acerca da flexibilidade salarial na Europa Continental. Este projeto progride usando dados mais recentes, para comparar diferentes fases do ciclo económico.
A análise será baseada sobretudo em modelos empíricos microeconómicos, usando alguns dos dados mais ricos, em termos internacionais: (i) dados empregador-trabalhador cobrindo a população de trabalhadores e empresas; (ii) dados financeiros das empresas; (iii) contratos coletivos de trabalho; (iv) dados do ensino superior cobrindo a população de candidatos, alunos matriculados e licenciados. Impulsionados pela riqueza dessa informação, usaremos sobretudo metodologias de variáveis instrumentais e de regression discontinuity .
Esta análise do mercado de trabalho português enquadra-se perfeitamente nos seguintes objetivos da Agenda 2030 da ONU: 10 sobre desigualdades, 4 sobre educação e 5 sobre género. Existe uma preocupação generalizada com a concentração de oportunidades de carreira num conjunto restrito de setores, empresas e trabalhadores, bem como com o aumento da parcela do produto nacional destinado ao capital, em detrimento do trabalho, possivelmente devido à crescente concentração do mercado de produtos e ao declínio da CC (S12, BBK20). Daí tem resultado um apelo ao investimento sustentado em capital humano e a melhores políticas e instituições, que promovam um acesso mais equitativo aos recursos. O foco da nossa proposta é precisamente a relação entre investimento em capital humano, instituições, mercado e desigualdade, partindo da ideia que o aumento das desigualdades ameaça a coesão social.
Instituições
Instituições Principais
- Universidade de Lisboa Instituto de Ciências Sociais (ULisboa ICS)
Financiamento 249.168,77 €
Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) - Portugal
249.168,77 €