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Atividade Financiada

Impactos da COVID-19 no mercado de habitação português

Impact of the COVID-19 pandemic on the Portuguese housing market

Referência
2022.09401.PTDC
Data de Início do Projeto
2023-02-01
Data de Fim do Projeto
2024-12-31
Investigador Principal
Coinvestigador Principal
Área Científica
Ciências sociais
Programa de Financiamento
Concurso de Projetos de I&D em Todos os Domínios Científicos - 2022 - PEX

Resumo

O principal objectivo do projecto encontra-se no estudo do impacto da pandemia de COVID-19 no mercado de habitação em Portugal. Para tal, pretende-se fazer uso de um modelo científico- metodológico, de base quantitativa, exploratório, inovador e adequado para a realidade portuguesa. Esse modelo quantitativo permitirá estimar o acesso à habitação em cada município do país (e para as freguesias dos principais municípios), entre o início de 2016 e o final de 2023 (por trimestre). Fazendo uso dos resultados obtidos por esse modelo quantitativo, será possível responder, de forma qualitativa e com evidência científica, aos seguintes objectivos: a) como evoluiu o acesso à habitação, em Portugal, entre 2016 e 2022 (ao nível do município ou freguesia); b) qual foi o impacto da pandemia COVID-19 no acesso à habitação; c) que padrões espaciais podem ser encontrados no acesso à habitação em Portugal; d) quais são os novos desafios que o mercado de habitação português enfrenta. PROBLEMÁTICAS SOCIO-ESPACIAIS O mercado de habitação português sofreu fortes alterações na década de 2010. Essas transformações afectaram o acesso ao mercado de habitação, sendo que Portugal foi um dos países da União Europeia em que o preço da habitação mais subiu na década de 2010. A subida acentuada do valor do metro quadrado tem sido um fenómeno generalizado a todo o país, mas com particular intensidade nos espaços mais urbanos, desde logo, nas áreas metropolitana de Lisboa e Porto. Diversas razões podem explicar o que levou a essas alterações, sumarizadas nos seguintes tópicos: a) herança de políticas públicas desajustadas ao longo de várias décadas; b) liberalização continuada do mercado de arrendamento (sobretudo em 2012, em resposta às exigências contidas no Memorando da Troika); c) crescimento do turismo urbano; d) utilização das habitações em Alojamento Local (diminuindo as habitações disponíveis no mercado de habitação); e) forte investimento de fundos imobiliários estrangeiros; f) novas políticas de incentivo à reabilitação de edifícios (sendo os edifícios convertidos em hotéis ou reabilitados para segmentos habitacionais de luxo); g) políticas de atracção de investimento estrangeiro (e.g. políticas fiscais e programa Vistos Gold). Este acontecimentos provocaram fortes alterações no mercado de habitação português. Segundo dados do Instituto Nacional de Estatística, no início de 2016 o valor médiodo metro quadrado no município de Lisboa era de 1 875 euros, tendo subido para 3 333 euros no início de 2020 (em algumas freguesias o valor do metro quadrado chegou a subir mais de 100%). A tendência atrás referida manteve-se inalterada até ao início de 2020, com a crescente valorização do metro quadrado e, por consequência, do valor das habitações. Recentemente, a pandemia COVID-19 quebrou essa dinâmica imobiliária. RELEVÂNCIA O acompanhamento científico do mercado de habitação português é extremamente relevante, desde logo, porque existem sinais de uma potencial situação de gravidade socioeconómica. Em resposta à pandemia, o Governo criou uma moratória no crédito à habitação, que permitiu a suspensão dos pagamentos dos empréstimos até 31 de Setembro de 2021. De acordo com dados do Banco de Portugal, a moratória no crédito à habitação teve 322 000 requisições até meados de Agosto de 2020. Em percentagem, Portugal é o segundo país da União Europeia com mais pedidos de moratórias, depois do Chipre. Em valores absolutos, o total português é, por exemplo, superior ao espanhol. Quer isto dizer que a pandemia de COVID-19 afectou de forma evidente a capacidade das famílias portuguesas de pagar a sua habitação. Existem duas grandes consequências socioeconómicas que podem advir deste cenário: i) desvalorização acentuada das habitações, ajustando-se à nova realidade económica do país; ii) default generalizado de clientes que não conseguem pagar as suas habitações, com óbvias implicações sociais e económicas, desde logo para as entidades bancárias. MODELO METODOLÓGICO EXPLORATÓRIO A análise da evolução do acesso à habitação será sustentada numa abordagem quantitativa e exploratória, fazendo-se uso de um modelo científico-metodológico que permitirá calcular o "Índice de Acesso à Habitação" para todos os municípios (e as freguesias dos principais municípios). Este modelo é especialmente inovador por permitir aferir, com base em evidência quantitativa, a evolução do acesso à habitação em Portugal, fazendo uso de vários dados estatísticos em bruto. Com estes resultados quantitativos e exploratórios, será possível identificar os padrões espaciais do imobiliário português nos últimos anos e os territórios onde é mais difícil o acesso à habitação. Pretende-se com os resultados deste trabalho contribuir para um maior conhecimento sobre os impactos da COVID-19 no mercado de habitação português, para ser disseminado junto de policymakers, da comunidade académica e outros profissionais interessados no mercado de habitação.

Instituições

Instituições Principais

  • Universidade Nova de Lisboa (UNL)

Financiamento 49.984,36 €

Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) - Portugal

49.984,36 €