Atividade Financiada
Revelando a história evolutiva da Via Láctea com recurso à Arqueologia Galáctica
Unraveling the evolutionary history of the Milky Way with Galactic Archaeology
Detalhes
Referência
2024.15303.PEX
2024.15303.PEX
Data de Início do Projeto
2026-02-16
2026-02-16
Data de Fim do Projeto
2027-08-15
2027-08-15
Área Científica
Ciências exatas
Ciências exatas
Programa de Financiamento
Concurso para Projetos de Investigação de caráter Exploratório em Todos os Domínios Científicos 2024
Concurso para Projetos de Investigação de caráter Exploratório em Todos os Domínios Científicos 2024
Resumo
O desvendar da história evolutiva da Via Láctea é um problema de longa data da astrofísica moderna [2,27,29,30]. A nossa galáxia é um puzzle complexo, albergando várias populações estelares tais como o disco, o bojo, a barra e o halo. Estas populações têm propriedades cinemáticas e químicas distintas que revelam épocas específicas de formação e os diferentes processos que moldaram a sua evolução. O objectivo da Arqueologia Galáctica [17,28,31,42] é o de reconstituir esta história evolutiva a partir da quimio-cinemática actual das estrelas que compõem estas populações.
Como em qualquer empreendimento arqueológico, a capacidade de determinar a cronologia de eventos passados é de suma importância para a arqueologia Galáctica. A Asterossismologia [8,11,23], ou o estudo de estrelas pela observação das suas oscilações naturais, possibilita a medição de idades estelares com precisão e exactidão sem paralelo, acrescentando uma nova dimensão a estudos populacionais da Galáxia. Este projecto – ArqueoGal – fará uso de idades estelares sísmicas de modo a quebrar degenerescências em modelos quimio-cinemáticos e assim abordar o problema multidimensional da evolução da Galáxia.
Dicotomia do Disco
O disco é a principal componente da Via Láctea [16,32,33], desempenhando por isso um papel central na arqueologia Galáctica. Evidência da presença de um disco geometricamente fino (pequena altura de escala) e de um outro grosso (grande altura de escala) é conhecida há várias décadas [2]. Estudos iniciais sugeriram que as estrelas do disco grosso, cinematicamente mais quentes, tinham também uma abundância sistematicamente maior de elementos a em relação ao ferro, [a/Fe], um importante indicador da escala temporal e eficiência da formação estelar. No entanto, estudos posteriores, baseados em grandes amostras estelares seleccionadas com base na cinemática, revelaram uma sobreposição em termos de [a/Fe] entre os dois discos. Vários rastreios espectroscópicos viriam a identificar uma lacuna no plano [a/Fe]-[Fe/H], revelando duas sequências conhecidas como os discos a-pobre e a-rico [1,16]. A diferença de idades entre as estrelas pertencentes a estes dois discos é marcante [15,31], com estrelas no primeiro tendo idades típicas de ~2 Ga, enquanto as do segundo rondam os ~11 Ga. A idade é, portanto, o factor de distinção entre estas duas componentes.
Evolução do Disco
Vários modelos da evolução do disco foram propostos para explicar as observações. Argumentou-se que a distribuição bimodal de [a/Fe] na vizinhança solar é resultado de uma migração radial [17,32,33], com estrelas ricas em elementos a tendo origem no disco interior. Alternativamente, esta bimodalidade pode reflectir uma formação abrupta do disco a-rico, p. ex., através de um processo bifásico [16], segundo o qual o disco a-rico forma-se cedo através da rápida acumulação de gás e o disco a-pobre forma-se posteriormente como resultado de uma acumulação mais lenta. Além disso, simulações cosmológicas de N-corpos revelaram que múltiplos e pequenos episódios de fusão com satélites ricos em gás podem resultar num disco cinematicamente quente, compacto, grosso e antigo (a-rico). Um disco cinematicamente mais frio, mais extenso, fino e novo (a-pobre) começaria então a formar-se numa época posterior, finda a actividade de fusão. Estas simulações prevêem ainda o muito debatido arqueamento do disco [32-34].
Objectivo, Métodos e Inovação
ArqueoGal produzirá o primeiro mapa crono-quimio-cinemático panorâmico de alta resolução do disco da Via Láctea. Tal mapa permitir-nos-á abordar várias questões-chave da arqueologia Galáctica, a saber: (i) a origem das duas populações quimicamente distintas do disco, (ii) os processos dinâmicos que levam ao seu arqueamento e (iii) a eficiência da migração radial. Faremos uso de estrelas gigantes vermelhas para sondar o disco até distâncias de vários quiloparsecs. Idades sísmicas serão determinadas para estas estrelas com base em fotometria da missão TESS da NASA [10,15,44]. Em seguida, combinaremos idades, astrometria e cinemática da missão Gaia da ESA [20], e abundâncias químicas do rastreio APOGEE [41,43], antes de realizar cálculos de modelação da Galáxia [22,32,33]. A dimensão temporal trazida pela asterossismologia constitui a inovação científica deste projecto. Além disso, será introduzida uma inovação metodológica com o desenvolvimento de uma ferramenta de Inteligência Artificial para a classificação automática de populações estelares.
Impacto e Actualidade
ArqueoGal levar-nos-á além do estado da arte, permitindo a investigação resolvida no tempo da evolução da Galáxia. A equipa é altamente internacionalizada, interdisciplinar e líder mundial nas áreas da arqueologia Galáctica e asterossismologia. O projecto tirará partido da liderança de membros da equipa nos consórcios TESS e Gaia. Por fim, ArqueoGal tem o potencial de construir um legado duradouro, com implicações para a definição científica da missão PLATO (ESA) e do rastreio 4MOST (ESO).
Instituições
Instituições Principais
- Instituto de Astrofísica e Ciências do Espaço (IA)
Outras Instituições
- Department of Physics and Astronomy "Galileo Galilei", University of Padova (DFA-UNIPD)
- Department of Physics and Astronomy "Augusto Righi", University of Bologna (DIFA-UNIBO)
Financiamento 59.935,98 €
Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) - Portugal
59.935,98 €