Saltar para o conteúdo principal

Consulte informações sobre apoios e financiamentos científicos em Portugal

Atividade Financiada

Estratégias de Conservação Adaptativa para os Açores: Redesenhando Áreas Protegidas Terrestres numa Era de Transição Ecológica

Adaptive Conservation Strategies for the Azores: Re-designing Terrestrial Protected Areas in an Era of Ecological Transition

Referência
2025.00398.AZO
Data de Início do Projeto
2026-03-02
Data de Fim do Projeto
2029-03-01
Investigador Principal
Área Científica
Ciências naturais
Programa de Financiamento
Concurso de Projetos de IC&DT "Açores: Transição Ecológica – Espaço – Oceano "

Resumo

O mundo enfrenta uma perda de biodiversidade sem precedentes, impulsionada pela destruição de habitats, alterações climáticas e invasões biológicas. As áreas protegidas, por si só, têm-se revelado insuficientes para travar esta crise, sendo urgentemente necessário um planeamento espacial da conservação que articule ciência e política, de modo a salvaguardar simultaneamente a natureza e o bem-estar humano [29]. As ilhas oceânicas albergam níveis desproporcionais de endemismo e funcionam como laboratórios naturais sensíveis para detectar e compreender os impactos antropogénicos [7,8,9]. A sua escala espacial reduzida e biotas relativamente simples tornam-nas ideais para testar estratégias integrativas de conservação que possam posteriormente ser adaptadas a contextos continentais [7]. O arquipélago dos Açores possui um dos mais completos conjuntos de dados de biodiversidade do mundo para briófitos, plantas vasculares, aranhas e escaravelhos, através de mais de 20 anos de monitorização padronizada [9–13]. No entanto, a sua rede de áreas protegidas permanece em grande parte inalterada, frequentemente desalinhada com os padrões contemporâneos de distribuição de espécies e ameaças emergentes [14]. Numa era de transições ecológicas, o projeto RECAP propõe-se redesenhar e expandir a rede de áreas protegidas do arquipélago, através de um quadro de planeamento de conservação adaptativo, baseado na ciência e orientado pelos stakeholders. Integrando dados taxonómicos, filogenéticos e de diversidade funcional para diversos grupos taxonómicos, o RECAP irá gerar uma proposta dinâmica de conservação que maximize a proteção da biodiversidade, equilibrando simultaneamente considerações sociais e económicas nos Açores. Para alcançar estes objetivos, o RECAP irá: i) Implementar planeamento espacial participativo para co-definir prioridades de conservação com os actores locais e regionais; ii) Desenvolver bases de dados contendo dados de ocorrência, abundância, funcionais e filogenias; iii) Modelar distribuições de espécies, e serviços dos ecossistemas utilizando modelos hierárquicos Bayesianos conjuntos e métricas multivariadas de diversidade; iv) Redefinir os limites das áreas protegidas e corredores ecológicos através de otimização multiobjetivo com recurso ao software Marxan [48]. Iremos compilar e harmonizar registros de ocorrência e abundância desde 1970, expandir os conjuntos de dados de diversidade funcional e construir árvores filogenéticas calibradas no tempo para os táxons-alvo. Paralelamente, produziremos mapas de uso do solo com 10 m de resolução, atualizados semestralmente, a partir de imagens Landsat e Sentinel, e refinaremos camadas globais de ameaças a partir da plataforma SPECTRE, criando superfícies de ameaças precisas e temporalmenteexplícitas [39, 43]. O nosso processo participativo estabelecerá quadros de governação que conciliam integridade ecológica com equidade socioeconómica, promovem a responsabilização local e garantem conformidade com a Lei da Restauração da Natureza da UE e com as diretrizes da UICN para áreas protegidas. Contamos ainda com o apoio do Governo Regional dos Açores (ver “Letter of Support” no Material Suplementar), em resposta à Lei da Restauração para 2030 da União Europeia. Ao unir análises espaciais de última geração com o envolvimento estruturado dos stakeholders, o RECAP fornecerá um plano de conservação adaptativo baseado na ciência para sistemas insulares, oferecendo metodologias transferíveis para outras regiões em transição ecológica semelhante. Globalmente, o RECAP está bem posicionado para se tornar um quadro de referência para a conservação proativa e baseada em evidência face às mudanças ecológicas, assegurando a proteção da biodiversidade única dos Açores — e potencialmente de outros arquipélagos — para as gerações futuras (ver “Graphical Abstract” no Material Suplementar). O RECAP baseia-se em seis projetos financiados pela FCT  liderados pelo PI, e alavanca plataformas como o Azores BioPortal e o Island-Lab, consolidando mais de 20 anos de monitorização da biodiversidade no arquipélago [9,12,13,14]. Coletivamente, as conquistas recentes da equipa — desenvolvimento de bases de dados extensas de biodiversidade, a implementação de ferramentas avançadas de modelação e apoio à decisão, a co-criação de quadros participativos de governação e a integração da ciência nas políticas regionais de conservação — estão totalmente alinhadas com as tarefas do RECAP. Estes avanços asseguram a viabilidade, oportunidade e robustez científica necessárias para a entrega de um quadro de conservação adaptativo e de elevado impacto, adaptado aos Açores. Este alinhamento não só tira partido da capacidade instalada e das redes de monitorização de longo prazo, como também promove inovação na avaliação da biodiversidade e no envolvimento dos stakeholders dando resposta à Lei da Restauração para 2030 da UE e à transição ecológica em curso nos sistemas insulares.

Instituições

Instituições Principais

  • Fundação Gaspar Frutuoso (FGF)

Outras Instituições

  • Universidade de Lisboa Faculdade de Ciências (FCUL)
  • Universidade dos Açores (UAc)
  • Instituto de Productos Naturales y Agrobiología (IPNA)

Financiamento 249.568,92 €

Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) - Portugal

249.568,92 €